Meus 11 anos de Lixão...

Nega, mãe solteira, 30 anos, não estudou, trabalha no lixão há 11 anos.

Aline, 13 anos, não estuda, trabalha no lixão e ajuda a mãe com as tarefas de

casa e cuidados com os irmãos.

Alex, 11 anos, estuda e depois vai pro lixão trabalhar com a mãe.

Arthur , 8 anos, também estuda e vai para o lixão depois da escola.

Mamãe disse que, quando meu irmão nasceu, ela pensou em um nome

de rei, porque seu desejo era que ele fosse alguém na vida. O nome da minha

irmã foi o pai dela que escolheu, mas eu nem sei quem ele é. O meu nome é

Alex. É o mesmo nome de meu pai, que era um homem bem legal.

Papai morreu trabalhando no lixão, mas eu não vi porque tava

estudando. Mamãe contou que um caminhão despejou o lixo em cima dele sem

querer. Lembro de ele ir para o hospital e nunca mais voltar.

Moro numa casa bem pequena. Eu, meus irmãos e minha mãe

dormimos juntos, dividindo um colchão de casal. Mamãe acorda bem cedo, às

4 horas da manhã, na hora que o primeiro caminhão chega.

Lá em casa não chega água. Pegamos de um rio que tem lá perto, do

lado da criação de porcos. Por vezes, brincamos na água com eles, é bem

divertido. Nosso banheiro não é igual o da escola, usamos um lugar que parece

um quartinho, com um cano que joga toda água suja direto na Baía.

Desde pequeno eu brincava no meio de um monte de coisas; tinham

garrafas de várias cores e tamanhos, muitos brinquedos.. Ganhei várias coisas

do lixão. Era muito legal brincar de se esconder com meus amigos atrás

daqueles morros. Por vezes, eu me escondia embaixo de sacos com comida,

ninguém me achava, eu era muito bom nisso.

Quando cresci, ganhei de aniversário um celular todo preto, muito legal.

Mamãe o achou no meio do lixo. Não preciso falar com ninguém, mas acho que

tá na moda. Na escola todos tinham celulares, menos eu.

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